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Nov

A importância da leitura para os deficientes visuais


O prazer dos livros e da literatura está ao alcance de crianças, adolescentes e adultos com deficiência visual por meio de livros braille, falados e digitais acessíveis. No Brasil, para atender às necessidades e interesses educacionais e culturais das pessoas com deficiência visual, a Fundação Dorina Nowill para Cegos, uma das pioneiras na criação de obras em braille, produz grande parte dos livros em formatos acessíveis. De janeiro a setembro deste ano foram produzidos mais 600 títulos nos três formatos.

Andréia Queiroz (29), deficiente visual há cinco anos, comenta que antes de aprender o braille e conhecer os livros falados só escuta rádio e televisão. Agora lê bestsellers, clássicos de ficção, biografias, e se sente muito mais capaz de interagir com o filho de 7 anos, com as colegas de trabalho e nas conversas com os amigos. É a leitura promovendo o resgate da cidadania, ajudando a devolver a auto-estima ao promover a inclusão social e desenvolvendo um olhar crítico que possibilita formar cidadãos conscientes.

Dados levantados pela Fundação Dorina revelam que os usuários da Biblioteca Circulante de Livro Falado da instituição leem cerca de nove livros por ano. Segundo a pesquisa Retrato da Leitura no Brasil, a população brasileira lê aproximadamente 1,3 livros anualmente. Se contabilizado o número de obras indicadas pela escola, a média sobe para 4,7 livros por habitante/ano.

Em contrapartida outra pesquisa recente da Fundação Getúlio Vargas (FGV), encomendada pelo Ministério da Cultura, revelou que apenas 9% das bibliotecas públicas municipais possuem seção com obras em braille. Susi Maluf, gerente de distribuição de produtos da Fundação Dorina aponta que hoje, o mercado editorial brasileiro lança 20 mil títulos novos por ano. Destes, não chega a 2% as obras no formato acessível ao deficiente visual.

Levando-se em conta que a sociedade atual caracteriza-se pela busca da informação, do conhecimento. Os resultados evidenciam a necessidade de ações de educação voltadas para o respeito ao universo cultural destas pessoas, seja pelo tato, pela audição ou mais recentemente pelos recursos que o computador pode oferecer.

Comemoramos o Dia Nacional do Livro em 29 de outubro porque foi nesse dia, em 1810, que a Real Biblioteca Portuguesa foi transferida para o Brasil, quando então foi fundada a Biblioteca Nacional. O Brasil passou a editar livros a partir de 1808 quando D.João VI fundou a Imprensa Régia e o primeiro livro editado foi “Marília de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga.

Sistema Braille: É um sistema de leitura para cegos por meio do tato, criado pelo francês Louis Braille, que perdeu a visão aos 3 anos de idade. Braille apresentou a primeira versão do seu sistema de escrita e leitura com pontos em relevo, para a utilização do deficiente visual, em 1825. Sua escrita é baseada na combinação de 6 pontos, dispostos em duas colunas de 3 pontos, permitindo a formação de 63 caracteres diferentes que representam as letras do alfabeto, números, simbologia aritmética, fonética, musicografia e informática.

Livro Falado: São obras gravadas em áudio, em voz humana ou sintetizada, para a pessoa com deficiência visual. A Fundação Dorina Nowill para Cegos possui dois estúdios onde são gravadas obras literárias, principalmente bestsellers. Também é gravada semanalmente a “Revista Veja”. Atualmente, a instituição mantém a Biblioteca Circulante de Livro Falado, que possui um acervo com mais de 1500 títulos falados, emprestados gratuitamente às pessoas com deficiência visual de todo o Brasil.

Livros digitais no formato Daisy, compatíveis com os protocolos internacionais de acessibilidade. O usuário pode visualizar o conteúdo do texto em vários níveis de ampliação e ouvir a sua gravação em uma voz sintetizada de forma simultânea. A ferramenta possui mecanismos de busca por palavras, notas de rodapé opcional, marcadores de texto, soletração, leitura integral de abreviaturas e de siglas, além de emitir a pronúncia correta de palavras estrangeiras.

Há mais de 64 anos, a Fundação Dorina Nowill para Cegos trabalha para facilitar a inclusão social de pessoas com deficiência visual, por meio de livros acessíveis e atendimento especializado. A produção de livros e revistas acessíveis permite às pessoas cegas e com visão subnormal acesso ao mundo do conhecimento e informação. Com uma das maiores imprensas braille do mundo em capacidade produtiva, a Fundação Dorina Nowill produz livros didáticos, best-sellers em braille, obras literárias em áudio e livros acadêmicos e de referência no formato digital acessível. As obras são distribuídas gratuitamente para pessoas com deficiência visual e para mais de 1.300 escolas, bibliotecas e organizações em todo o Brasil.

Fonte: Fundação Dorina

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